Chove em Lisboa
Chove em Lisboa
Será só em Lisboa?
Há nuvens por toda parte
novembro partiu
e o parto da chuva
lançou-me a água sobre a face
fácil
faz-se a foz
do céu cinzento
(choverá em Lisboa?)
O chiado das ruas
(dos pneus pisando a água sobre as ruas)
acusa:
chove em Lisboa
O balé de guarda-chuvas
capas
sobretudo
em meus olhos
me mostram que
a chuva cai
cai dentro de Lisboa
Na esquina da alma
no canto dos olhos
na tela da mente chove
chove
chuva incessante
chuva insidiosa
chuva
chuva que invade
a página do livro
à espera
de seu próximo leitor
em Lisboa
(onde chove
desde que novembro partiu)
Mais atento
o olhar
está a perceber
que a molhar
prefere a chuva
deitar suas águas
a sagrar as margens
do mar e do Tejo
prefere a chuva
salgar as margens
da mesma página
do livro inerte
que agora
leio
De repente
tudo fica claro
(menos o céu de Lisboa)
não é a chuva
a salgar as margens
da mesma página
do livro inerte
mas eu
seu último leitor
entregue à lembrança
do rosto amado
longe da rua molhada
(pisoteada pelos pneus
paralelos)
mas eu
último reduto de umidade
neste deserto
que agora leva o nome de Lisboa
Antônio Umberto de Souza Jr.
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